07/07/2026

BOA TARDE

Ao que parece, existe um público que não quer esperar tanto por uma nova temporada de Drive to Survive para conferir mais bastidores da Fórmula 1. Pelo menos é o que mostra o caso da Cadillac.

No final do ano passado, a sua dona, General Motors, anunciou uma série documental no YouTube oferecendo aos fãs um acesso inédito à engenharia e à inovação por trás da entrada da Cadillac no grid da F1 este ano.

Até agora, são mais de 10 milhões de visualizações ao longo de 11 episódiosveja todos aqui. Ah, e eles já estão lançando episódios da segunda temporada.

Fora da F1, você sabe qual foi a montadora que popularizou a ideia de transformar campanhas publicitárias em praticamente cinema, contratando até diretores de Hollywood?

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Para hoje… A aposta que salvou a BlackBerry; Big Techs “abandonam” o discurso de "AI vai substituir empregos"; As varejistas brasileiras estão perdendo a tela do consumidor; e mais.

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QUICK TAKES

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A BlackBerry voltou, mas não do jeito que você imagina

(Imagem: The Wall Street Journal | Getty Images)

Nada de um retorno aos smartphones ou uma nova disparada de ações por conta de uma viralização no Reddit. O negócio agora é software para empresas e, nas últimas semanas, os papeis da BlackBerry dispararam após resultados acima do esperado e reforçaram uma transformação que poucos imaginaram. 

  • A receita cresceu 26% no primeiro trimestre de 2026; 

  • As ações acumulam alta de quase 180% nos últimos 12 meses;

A virada começou depois da derrota para iPhone e Android

Para você que não se lembra — ou nem era nascido —, no auge, a BlackBerry dominava mais da metade do mercado americano de smartphones e chegou a valer US$ 80 bilhões

  • Junto do MSN, o BlackBerry Messenger (BBM), tornou-se um dos primeiros serviços de mensagens instantâneas do mundo a alcançar ampla adoção, com mais de 85 milhões de usuários.

Mas, com a chegada dos smartphones da Apple e de outros que levavam o sistema operacional do Google, a empresa viu seu valor de mercado despencar entre 2008 e 2016 e, aos poucos, abandonou o negócio que a tornou famosa.

Só que a reviravolta viria com um ativo pouco chamativo dentro da companhia. Em 2010, a BlackBerry comprou a QNX, um sistema operacional de tempo real (RTOS), projetado para gerenciar tarefas sensíveis ao tempo, como o sistema de freagem de um carro autônomo, que precisa responder rapidamente, sem falhar, quando detecta um pedestre. 

E foi justamente ao perceber que grandes empresas de tecnologia passariam a investir mais em entretenimento automotivo que a BlackBerry decidiu que, em vez de disputar a tela do painel dos carros, controlaria o software que fica por baixo dele.

Hoje, o QNX está presente em mais de 275 milhões de veículos e é utilizado por mais de 45 montadoras, incluindo praticamente todas as líderes globais. Ele controla funções críticas, como sistemas de freios ABS, airbags e sistemas de prevenção de colisões.

O modelo de negócio também mudou. A BlackBerry recebe royalties cada vez que um veículo equipado com o QNX sai da fábrica. A divisão opera com margem bruta próxima de 85% e encerrou o último trimestre com uma carteira de US$ 950 milhões em royalties futuros contratados.

(Imagem: Huddle Up | BlackBerry Earnings)

Só que a maior aposta já não está nos carros

Cerca de 20% da receita da QNX já vem de robótica, equipamentos médicos, drones e automação industrial. A empresa também firmou parceria com a NVIDIA para integrar seu software de segurança às plataformas de inteligência artificial física da fabricante de chips.

A lógica aqui é que, enquanto modelos de AI tomam decisões, alguém precisa garantir que freios, robôs cirúrgicos ou máquinas industriais executem essas decisões sem margem para erro. É exatamente esse papel que a BlackBerry quer ocupar.

O mercado parece começar a enxergar essa mudança. Após anos sendo vista como a empresa que perdeu a guerra dos celulares, a BlackBerry tenta provar que pode se tornar a camada invisível de segurança da inteligência artificial no mundo físico.

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TOGETHER WITH NIELSENIQ

A queda no volume de vendas de bens não-duráveis (FMCG) já atinge 70% das categorias

Essa retração não vem de uma causa só. No estudo Full View 2026, a NielsenIQ, empresa global líder em inteligência sobre o consumidor, mapeou as cinco forças que estão redefinindo o consumo e a dinâmica competitiva em FMCG.

O estudo aponta: inflação de alimentos, endividamento e renda pressionada, novas estratégias de economia, aumento do e-commerce e novos gastos disputando o orçamento.

Isso resulta em menor frequência, queda de penetração e um consumidor muito mais criterioso.

👉 Clique aqui para baixar gratuitamente a análise Full View 2026 e entender quais são as oportunidades de crescimento nesse cenário.

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Seria esse o maior pivô de narrativa sobre AI vs. empregos?

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Nesta segunda-feira, a Microsoft anunciou a demissão de 4.800 funcionários — incluindo 1.600 na divisão Xbox —, a última de uma série de layoffs que tem alimentado a pauta de que a inteligência artificial substituirá os humanos dentro das empresas.

Para se ter uma ideia, cerca de 120 mil posições no setor de tecnologia foram eliminadas em 2026, com inúmeras empresas citando a AI como a razão para esses cortes. Veja aqui todas as grandes companhias do mercado tech que fizeram isso.

Só que, oficialmente, a Microsoft disse que esses cargos que estão sendo eliminados “não estão sendo substituídos por inteligência artificial”, mesmo admitindo que a AI está mudando a forma como o trabalho é feito.

O curioso é que o discurso dos CEOs também mudou

Há um ano, executivos como Sam Altman (CEO da OpenAI) e Dario Amodei (CEO da Anthropic) alertavam que a inteligência artificial poderia, sim, eliminar milhões de empregos.

Agora, em vez de falar em substituição, passaram a defender que a tecnologia servirá para aumentar a produtividade — mantendo as pessoas no centro do trabalho.

  • Por um lado, essa mudança de tom pode ser vista da seguinte maneira: antes, o medo de que a inteligência artificial acabe com empregos gerava manchetes na mídia; agora, está atrapalhando as vendas.

  • Por outro lado, o mercado de trabalho continua longe do cenário de colapso previsto; as empresas ainda enfrentam dificuldades para implementar AI em larga escala e pesquisas mostram que quem mais investe na tecnologia também está entre os que mais contratam.

Enquanto isso, a desconfiança tem aumentado, com um levantamento que mostra que 20% dos executivos americanos acreditam que os relatórios internos sobre a implementação de inteligência artificial retratam um cenário mais otimista do que a realidade.

Ou seja, para muitos, entre a promessa e a prática, a revolução da AI parece estar acontecendo em um ritmo bem diferente do que muitos imaginaram.

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As varejistas brasileiras perderam a corrida dos apps?

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Segundo um novo relatório do BTG Pactual, a disputa pelo consumidor brasileiro está ficando cada vez mais desigual, especialmente com o avanço da concorrência asiática.

  • A 🇨🇳Shein saiu de 87,7 milhões de usuários ativos mensais (MAUs) no segundo trimestre de 2025 para 113,1 milhões ao final do segundo trimestre deste ano;

  • No mesmo período, o 🇨🇳AliExpress cresceu 28%, chegando a 42,3 milhões de usuários ativos mensais.

A situação foi ainda mais dura para as varejistas nacionais. A Magalu fechou o 2º tri de 2026 com queda de 9% em MAUs na comparação anual (38,8 milhões), a Casas Bahia perdeu 27% (14,4 milhões) e a Americanas registrou uma retração de 33% (5,5 milhões).

No topo do mercado, o 🇦🇷🇧🇷Mercado Livre atingiu 134 milhões de usuários ativos mensais, seguido pelo 🇸🇬Shopee, que chegou a 130 milhões, e pela 🇨🇳Shein, consolidando a força das plataformas internacionais no Brasil.

O retrato vai além dos downloads. Em um momento em que Magalu, Casas Bahia e Americanas ainda lidam com prejuízos e reestruturações, conquistar atenção no celular virou uma das principais batalhas do varejo. Afinal, quem perde espaço na tela do consumidor dificilmente ganha espaço no carrinho de compras. (Aprofunde)

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GIRO POR OUTROS HIGHLIGHTS

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GRÁFICO DO DIA

Nos últimos 25 anos, o Brasil viu o número de shopping centers mais que dobrar, avançando na contramão do crescimento do e-commerce.

Esse movimento é o oposto do observado nos EUA, onde o setor sofre com a concorrência da internet. Por aqui, a estratégia certeira foi aumentar o tempo de permanência do público, transformando os shoppings em grandes polos de serviços, que vão de clínicas de saúde e supermercados a academias.

Outro forte motor de crescimento é o mercado de luxo, que vive uma aceleração global pós-pandemia. Essa dinâmica eleva consideravelmente o tíquete médio das vendas e, consequentemente, valoriza o metro quadrado das áreas dos shoppings.

O ponto mais curioso é que o complexo ambiente de negócios brasileiro evitou o maior erro do mercado americano: a superconstrução. Enquanto o capital fácil nos EUA inflou o número de shoppings além da conta, a escassez de recursos por aqui forçou as redes nacionais a serem eficientes, estratégicas e muito mais resilientes. Aprofunde aqui.

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