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24/03/2026

BOA TARDE
O empresário dono do OnlyFans, Leonid Radvinsky, faleceu aos 43 anos ontem. Depois de ter criado um site de webcam para adultos em 2004, ele comprou, em 2018, 75% das ações da empresa dona do OF, que fazia menos de US$ 100M/ano.
O negócio tem apenas 46 funcionários e faturou US$ 7,2 bi no ano passado, registrando a provável maior receita por funcionário do planeta em 2025. Ele nunca deu uma única entrevista pública.
Para hoje… O processo contra a marca de barras de proteína David e o que está por trás do caso; A nova busca do Jeff Bezos por um cheque de meros 100 bilhões de dólares; O lucro de estreia do Agibank; A queda da receita do que já foi a maior sensação do mundo audiovisual; e mais.
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QUICK TAKES
PARA LER: The Widowmaker, por Romero Rodrigues
PARA DESCOBRIR: A história e a trajetória do dono do OnlyFans
PARA DESCONTRAIR: Um post do LinkedIn que não foi feito por AI
PARA ASSISTIR: Um papo com os fundadores da Kalshi, incluindo a brasileira Luana Lopes Lara, acompanhado de cerveja brasileira
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A polêmica da David
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(Imagem: Gabe Conte | GQ)
Quando um dos principais valores que um produto entrega é a qualidade nutricional atrelada ao sabor, qualquer ruído apontando que ele “não faz tão bem assim” já é prejudicial. Mas o caso da David na semana passada virou mais do que um ruído…
Antes, para quem não conhece: David é uma empresa de barras de proteína, tida por muitos como as mais gostosas do mercado. Em geral, ela é facilmente identificada pela sua embalagem brilhante — quase como um golden ticket de Willy Wonka.
Além disso, claro, como um bom queridinho do mundo wellness, o produto é reconhecido pelos seus 28g de proteína, enquanto tem apenas 150 calorias e 2,5g de gordura.

(Comparativo de ingredientes entre os principais produtos da categoria)
Foi aí que entrou toda a polêmica…
Um laboratório independente credenciado pela FDA — a Anvisa dos EUA — testou as barras David e encontrou até 83% mais calorias e 400% mais gordura do que o declarado no rótulo.
Na sequência, foi protocolada uma ação coletiva em um tribunal de Nova York por práticas de marketing "ilegais e enganosas" e por violação das normas da FDA.
O CEO da David, Peter Rahal, foi direto ao ponto para se defender: o laboratório usou o método errado. A ferramenta utilizada foi um calorímetro de bomba, que é um dispositivo que queima o alimento para medir energia. O problema é que ele não distingue calorias que o corpo absorve das que simplesmente passam direto pelo sistema digestivo. | ![]() (Imagem: David) |
E o grande ponto é que a David tem um ingrediente específico (o EPG) que é uma gordura vegetal modificada, tem textura e sabor de gordura, mas é quase completamente indigestível — o corpo não metaboliza, ou metaboliza muito pouco.
Na prática, a David coloca em sua tabela nutricional as gorduras que o corpo absorve do produto, deixando de fora, consequentemente, a maior parte do EPG.
![]() (Imagem: David) | Fun-fact: O método padrão para calcular calorias, o Sistema Atwater, é literalmente de 1896, quando ingredientes como o EPG sequer existiam. Agora, Peter Rahal quer virar o jogo. Ele anunciou que vai contraprocessar os autores. Segundo ele, "os advogados da parte autora chegaram a admitir que não sabiam que os ingredientes não nutritivos não são medidos por meio de um calorímetro de bomba.” |
O que tirar de negócios disso tudo?
O processo e toda a polêmica é a ponta do iceberg. O mais interessante de observar é a relevância que a David deu para a qualidade de seus produtos desde o princípio da marca, que foi lançada em 2024.
Só para ter ideia, a David usou uma parte da Series A de US$ 75 milhões para a aquisição da Epogee, que é o único produtor mundial do EPG. Ou seja, nenhum concorrente consegue replicar o produto — ou, pelo menos, não sem dar dinheiro à David.
Além disso, pense que a David resolveu um “trade-off impossível”. Normalmente, o padrão para se alimentar de algum snack é uma escolha entre conveniência, sabor e nutrição.
A David simplesmente uniu os três, praticamente quebrando uma “crença limitante geral”.
A marca atingiu um valuation de US$ 725 milhões em 2025, quando fez a rodada de captação. Olhando para o macro, o mercado global de barras de proteína vale US$ 14,3 bilhões (2024), com previsão de chegar a US$ 20 bilhões até 2030, crescendo a 5,9% ao ano.
Food for thought Protein for thought 🧠 Algumas pessoas levantaram teorias — sem provas — de que todo esse caso teria sido, na verdade, um movimento promovido pela própria David para gerar pautas e barulho na mídia. Seria genial.
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Bezos quer levantar US$ 100 bi para comprar fábricas e turbinar com AI
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Jeff Bezos está negociando com fundos soberanos do Oriente Médio e Singapura para criar um fundo para comprar empresas de indústria — de setores como defesa, semicondutores e aeroespacial — e reconstruir os processos com inteligência artificial.
Ao que parece, a ideia está conectada com a Project Prometheus, startup da qual ele é co-CEO. O foco não é exatamente no robô no chão de fábrica, mas aplicar a AI para simular e otimizar os processos antes mesmo da produção começar.
Por que importa: Se sair do papel mesmo, vai ser a maior aposta já feita em AI física, fora de modelos de linguagem e simplesmente o maior fundo de manufatura nessa escala desde o icônico SoftBank Vision Fund — também de US$ 100 bilhões.
Ainda está em aberto se (i) os fundos soberanos do Golfo vão mesmo entrar na jogada, (ii) qual vai ser a relação exata com a Prometheus e (iii) se a Blue Origin vai entrar como ativo do portfólio do fundo. (Aprofunde)
Já dá para dizer que é uma tendência…
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Agibank estreia na Bolsa conquistando os 3 pontos
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O Agibank estreou seus resultados na Bolsa de Nova York com um lucro líquido de R$ 214,9 milhões no último trimestre, consolidando um ganho acumulado de R$ 1 bilhão no ano passado.
O avanço de 32% no lucro anual mostra que a tese de focar no crédito consignado e no público de baixa renda continua tracionando.
A carteira de crédito da instituição saltou 43,9%, atingindo quase R$ 35 bilhões, sendo que 86% desse montante possui garantia. O sinal amarelo ficou apenas para a inadimplência acima de 90 dias, que subiu para 3,7%.
O banco encerrou o período com um ROE de 35,8%, um número que faria qualquer bancão tradicional suar a camisa, mesmo sendo inferior aos 44,4% registrados anteriormente.
Com 6,7 milhões de clientes, a estratégia da empresa agora é converter o status de "pagador de salários" da Previdência Social em uma fidelização maior, que as fintechs puramente digitais ainda não alcançaram pra valer. (Aprofunde)
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NOSSO CEO INDICA
Demos uma espiada na biblioteca de livros do nosso CEO e fundador, e esses foram os últimos livros que ele leu:
“Bons fundamentos para gestão de empresa de maturidade mais alta. Nada extraordinário. Conceito mais interessante: onde há variação (indicadores), há oportunidade de ganho.” | “Excelente! O livro foi escrito na década de 90, antes da internet e, mesmo assim, essas leis são altamente aplicáveis. Old school marketing.” | “Razoável. Tem boas pegadinhas mentais e mostra alguns truques de comportamento humano e como alguns vieses podem operar.” |
No app do the news, você acompanha as leituras do nosso CEO e de outras pessoas do mercado, como se fosse uma rede de amigos que trocam boas indicações.
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GIRO POR OUTROS HIGHLIGHTS
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GRÁFICO DO DIA
![]() | A GoPro perdeu o fôlego — e não é de hoje. Anos depois de bater cerca de US$ 1,8B no auge em 2014-15, a empresa viu seu faturamento encolher aos US$ 652M no último ano, uma queda de 19% YoY. O que era sinônimo de câmera de aventura virou um case clássico de pioneiro que ficou pra trás. A explicação passa por concorrência e timing ruim. Rivais chinesas como DJI e Insta360 entraram com produtos mais inovadores e baratos, enquanto os smartphones ficaram bons o suficiente pra substituir parte do uso. A empresa até tentou pivotar para drones, mas só acentuou a queda. |
A própria ação da empresa na Nasdaq se tornou uma penny stock, acumulando uma queda de 99% em relação ao auge da empresa em 2014.
Agora, a gigante tenta se reinventar com a inteligência artificial. A GoPro começou a vender vídeos dos próprios usuários para treinar modelos, dividindo receita com quem contribui.
Já são mais de 500 mil horas coletadas. O problema é que, mesmo que funcione essa como uma nova fonte de renda, ainda parece ter um potencial pequeno perto do buraco no core. Leia mais aqui.
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TOGETHER WITH AQUI ADS
Ainda compensa investir em mídia OOH?
Segundo a Nielsen, campanhas que integram Digital + OOH são 40% mais efetivas do que quando usadas isoladamente. O motivo está no comportamento do consumidor após o impacto:
Se o ROI compensa, o problema tá na burocracia de anunciar nas ruas. Ou melhor, estava…
A solução pra isso é o Aqui Ads, uma plataforma self-service que permite planejar, veicular e metrificar campanhas em OOH de forma acessível, para pequenas e médias empresas. Descubra como ficou simples colocar sua marca nas ruas aqui.
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ASPAS DO DIA
"Acho que já é agora. Acho que alcançamos a AGI (Inteligência Artificial Geral)"
A participação do CEO da Nvidia no Lex Friedman Podcast que foi ao ar ontem deu o que falar, principalmente porque Jensen Huang disse acreditar que já atingimos a tão falada Inteligência Artificial Geral. A resposta veio depois que Fridman sugeriu uma definição para AGI: uma AI capaz de iniciar, crescer e “tocar” uma empresa tech avaliada em mais de US$1 bilhão. Huang ressaltou que Fridman disse “bilhão” e que não disse que precisaria ser “para sempre”. Veja o trecho. | ![]() (Imagem: @lexfridman) |
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